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Aprendendo a amar o corpo em que habito



Aprender a amar o próprio corpo não é tarefa fácil, principalmente para as mulheres. A quantidade de influência que sofremos, as críticas e sugestões sobre como deveria ser o corpo perfeito, e como poderíamos alcança-lo. As 800 opções de dietas milagrosas, e ainda assim, parece que nada é suficiente para alcançar o biótipo perfeito.

Passei a maior parte da minha infância e adolescência tendo paranoias sobre o meu corpo, sempre fui extremamente magra e alta, e apelidos como magrela e Olivia palito sempre fizeram parte da minha vida. Durante a adolescência, eu tinha vergonha de sair de shorts, saias ou vestidos, qualquer coisa que deixasse minhas pernas finas a mostra. Se eu fosse sair de casa, era de calça jeans. Nas aulas de educação física, minha mãe tinha que escrever bilhetes aos professores para que abrissem uma exceção quanto à calças de ginastica, que me deixavam extremamente desconfortável por evidenciar minhas pernas finas.

 A maioria dos tipo de roupa, eu achava que não ficavam bem no meu corpo, pois para usar tal blusa, eu achava que precisava de seios, coisa que nunca tive. Deus me livre surgir um evento de última hora em que eu tivesse que ir pra rua comprar roupa, pois nada me servia, nada cabia em mim, tudo ficava largo, sobrando, e sempre precisava ajustar, apertar. Comprar roupas era um estresse completo.

Tomei remédios para engordar, fiz dietas de "engorda", tentei fazer exercícios para ver se desenvolvia massa muscular, e até pensei algumas vezes em métodos mais sérios para algumas coisas, como colocar silicone quando tivesse idade suficiente, ou fazer uma cirurgia para concertar minha orelha de abano.

A verdade é que quase todas nós passamos por este tipo de estresse, cada uma por motivos diferentes, mas a medida que crescemos, encontramos diversos motivos para ficarmos insatisfeitos com nossos corpos. Muitos me disseram que quando eu crescesse, isso já não importaria tanto, e eu nunca acreditei. Hoje percebo, que essas paranoias não são originalmente nossas, e sim coisas que são sutilmente colocadas nas nossas cabeças, ou coisas que achamos que precisamos para agradar as outras pessoas. Este é o maior dos problemas, principalmente durante a adolescência, sentimos essa pressão em pertencer, e principalmente agradar, seja à um grupo de amigos ou à um garoto em especial que queremos que repare em nós.

Hoje, com 22 anos, eu percebo que isso já não me incomoda mais. Percebi que a única pessoa que eu tenho que agradar é a mim mesma, a única pessoa que tem que estar feliz com o meu corpo sou eu, pois sou eu quem o habito. Hoje a opinião das pessoas sobre mim, já quase não me afeta mais.

Aprendi que este é o meu corpo, e apesar de todos os meus esforços, ele não mudou, porque ele não deve mudar. Meu corpo é assim, foi feito para ser assim, e irá permanecer assim. Essa sou eu, e deixe-me lhe dizer, é libertador aceitar isso. Hoje eu saio com a roupa que eu quiser, e não me sinto mal por isso, o importante é eu me sentir confortável e me sentir bem. Amo minhas pernas finas, meus seios pequenos, minha orelha de abano. Que me importa se os outros não concordam? No fim das contas, quem dorme e acorda neste corpo sou eu. Quem cuida, alimenta, limpa e exercita este corpo sou eu. Quem são os outros para se atreverem a dizer como ele deve ser ou o que devo fazer com ele?

Hoje eu aprendi que está tudo bem ser diferente das outras mulheres da minha idade ou do meu convívio, afinal, somos pessoas diferentes, com mentes diferentes, crenças diferentes, personalidades diferentes, por que nossos corpos seriam iguais?

Ser diferente já não é mais um problema para mim, é algo pelo qual eu aprendi a ser grata. Cada um de nós tem algo diferente e único, quase que como um ingrediente que nos torna especial e faz a gente se destacar das outras pessoas. Aprenda a amar o corpo em que você habita, ele é somente seu e só você sabe o que deve ou não fazer com ele, como ele deve ser ou como você se sente confortável nele. Não há nada mais libertador do que aceitar quem você é.

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